Estimado Ennis

Feliz Ano Novo!

Mas infelizmente, as 'velhas notícias' continuam.


É incrível Ennis, mas quanto mais se cava fundo no assunto Ellen G.White, mais a gente consegue se surpreender. E eu que pensava que já tinhavisto de tudo sobre o tema, ainda fico estupefato com mais essa. Muitas vezesinocentei a sra. White como uma pessoa débil e perturbada que, por causa doferimento na cabeça, tinha surtos visionários ocasionais, mas as pesquisas doDale Ratzlaff conseguem nos deixar ainda mais intrigados, pois indicam que elaplagiou desde o começo. Sim, desde a sua primeira visão.


Será que Ellen White copiou (plagiou) até mesmo sua primeira"visão"?


Dale Ratzlaff nos mostra, como se segue, que há evidências confiáveis queapontam para a conclusão de que Ellen White copiou sua primeira "visão"de um outro adventista chamado Joseph Turner.


As duas primeiras visões de Ellen White ensinam que a porta da graçafoi fechada para todos fora do pequeno grupo dos adventistas. Enquanto elestinham desistido do ensino da porta fechada por um tempo curto, as visões deEllen White corrigiram este "erro" e os trouxe de novo para o ensinoda porta fechada.


Há evidências fortes de que isso é exatamente o que Ellen Whiteacreditava. Em uma carta a Joseph Bates, ela descreve os incidentes em conexãocom sua primeira visão. Mas duas coisas devem ser observadas: em primeirolugar, há evidências de que Ellen White pode ter obtido o material ou ideiaspara a sua primeira "visão" a partir de Joseph Turner e em segundo: aprimeira visão de Ellen White refletia exatamente o entendimento de Turner da"verdade." Pelo visto, Turner era um crente declarado da teoria da “portafechada” radical da misericórdia.


Abaixo, o relato contado pela própria Ellen White:


“Talvez você [Bates] gostaria de ter me dar uma declaração [ponto devista] em relação a ambas as visões. Na época, que eu tive a visão do clamor dameia noite [porta fechada], na visão parecia se referir ao passado, mas eu pensavaque se referia ao futuro, como também a maioria dos outros do nosso grupopensava. Eu não sei bem precisar quando, mas J. Turner tinha algo escrito[sobre o assunto]. Eu sabia que ele tinha um escrito fora e outro estava em suacasa, mas eu não sabia o que estava escrito nele, porque eu não tinha lido nemuma palavra naquele jornalzinho. Depois que eu tive a visão e Deus deu-me a luz,Ele pediu-me para dividir com o grupo, mas eu me recolhi. Eu era jovem, e eupensei que eles não iriam aceitar isso de mim. Eu desobedeci ao Senhor, e emvez de permanecer em casa, onde a reunião era para ser naquela noite, eu pegueium trenó e segui por três ou quatro quilômetros e lá encontrei Joseph Turner[que estava a caminho da reunião dos adventistas]. Ele apenas perguntou como euestava e se eu estava no caminho de meu dever. Eu não disse nada, porque eusabia que não estava. Passei na sala (*) da casa dele [do sr. Turner] e não ovi novamente por duas horas, quando ele voltou, perguntou se não era para eu estarna reunião naquela noite. Eu disse-lhe: Não. Ele disse que queria ouvir minhavisão e pensei que deveria ir para casa. Eu lhe disse que não. Ele não dissemais nada, mas foi embora. Bem cedo na manhã seguinte, o sr. Joseph Turner disseque estava com pressa de sair da cidade em um curto espaço de tempo, e queriaque eu lhe contasse tudo o que Deus havia me mostrado em visão. Foi com temor etremor que eu lhe contei tudo. Depois que eu terminei, ele disse que ele tinhadito a mesma coisa na reunião da noite anterior.” (1)


Nessa carta a Bates, EGW não dá detalhes do que ela contou a Turner,nem do que ele falou na reunião ao pequeno grupo no dia anterior, mas valelembrar que a própria EGW disse que Turner tinha algo escrito sobre o assunto. Nopequeno jornalzinho “O Espelho do Advento” [The Mirror Advento], de janeiro de1845, é encontrado um longo artigo de A. Hale e Joseph Turner, que"explica" a parábola das dez virgens, dando argumentos a favor daporta fechada da misericórdia. Aqui é apenas um trecho:


“Mas podem ser convertidos quaisquer pecadores se a porta estiverfechada? É claro que eles não podem, embora as mudanças que podem parecerconversões podem ocorrer. O estado da humanidade diante de Deus seria muito semelhanteao que tem sido nos casos em que as comunidades têm sido dadas por Deus para a destruição.(...) Mas pensar em trabalhar para converter as grandes massas do mundo em ummomento como esse seria tão ocioso quanto na experiência que teria sido dosisraelitas, quando eles estavam à beira-mar Vermelho, darem meia volta para converter os egípcios.”


A partir dessa carta (a Bates),sabemos que:
1. Joseph Turner havia escrito um artigo apoiando a porta fechada.
2. Ellen White sabia que tinha um jornalzinho [artigo] fora da casa,sabia que havia um que estava na casa e alegou não saber o que estava escrito nele.
3. Ela foi para a casa dele contra a vontade do Senhor, passou duashoras sozinha na sala, e depois voltou para casa.
4. Agora, mais de um século passado, sabemos que as pesquisas dos últimos30 anos nos mostraram que Ellen White foi uma ‘dedicada’ copiadora de escritos deoutras pessoas, se não uma plagiadora definitiva. Sabemos que até mesmo algumaspartes de suas visões foram copiadas de livros publicados antes mesmo que suasvisões tivessem sido recebidas. Com estes fatos em mente, é interessante notaras circunstâncias desta carta.


Poderia ser que as informações de EGW relacionadas em sua"visão" sobre a primeira porta fechada, na verdade vieram de JosephTurner? Devemos notar que Turner foi o primeiro a ouvir a primeira visão de EGWe ele disse que havia dito a mesma coisa na noite anterior [na reunião].


Sabe Ennis, eu já tinha minhas dúvidas sobre o fato de Ellen White tercopiado (ou plagiado) as visões de William Foy. Ellen White mesmo disse queestava presente em reuniões onde ele havia relatado suas visões. As visões deFoy foram publicadas num livreto em Portland, Maine, em 1845. Uma entrevista deEGW em 1906 indica que ela aparentemente tinha cópias dessas visões:


“Em outra ocasião, foi Foy que teve visões. Ele teve quatro visões. Euestava em uma grande congregação, muito grande. Ele caiu no chão. Eu não sei oque estavam fazendo lá, se você estivesse ouvindo ou pregação. No entanto, elecaiu no chão. Eu não sei por quanto tempo ele ficou [no chão] - cerca de trêsquartos de hora, eu acho - e ele tinha todas estas [as visões] antes que eutivesse as minhas. Elas foram escritas e publicadas, e é estranho que nãoconsigo encontrar em nenhum dos meus livros. Mas mudamos tantas vezes. Foy tevequatro [visões].”(4)


Mais uma para ficarmos tristes, meu caro Ennis.


Abraços do

Filipe (Santa Catarina)





Abaixo, as referências:


(*) Chamber – Pode ser a sala, o quarto ou ainda o escritório da casado sr. Turner.
(1) A. L. White,"Ellen G. White and The Shut Door Question", Letter 3, 1847, pp.49–51). Trechos da carta se acham disponíveis no site do Centro White - ElenaG. de White, Carta 3, 1847, escrito el 13 de julio de 1847 a José Bates: http://centrowhite.uapar.edu/pregyres/preyresp/Enviados/36%20-%20Documentos%20puerta%20cerrada,%20for.htm
(A tradução para o português é livre, não foi feita por umespecialista).
(2) Knight, Rise ofSabbatarian Adventism, pp. 133 –136.
(3) See Walter Rea,The White Lie, M & R Publications, Box 2056, Turlock, CA 95381, 1982.
(4) MR 17, pp. 96-97,Ms 131, 1906, pp. 1, 4-6. Ellen G. White State, Washington, D. C. 4 Junio de1987.
(Todo asreferência estão disponíveis no site do White State: http://www.whiteestate.org/books/pay/PAYaxA.html